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A Cannabis medicinal avança no país mas enfrenta desafios

Especialistas apontam dificuldades no acesso, preconceito e desinformação sobre o tratamento no país

Por Erica Barbosa

Diante de um fato atuação, foi pesquisado discussões sobre os avanços e desafios da Cannabis medicinal no Brasil, a reportagem ouviu especialistas de diferentes áreas que acompanham o tema de perto. Foram entrevistados o advogado e ativista Erik Torcato, referência na defesa do acesso à Cannabis medicinal; a professora e pesquisadora Priscila Gava Mazzola, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unicamp, que atua em estudos sobre o potencial terapêutico da planta; e o advogado Ladislau Porto, especialista em acesso à Cannabis medicinal e defensor da ampliação da informação e dos direitos dos pacientes.

A Planta medicinal vem conquistando espaço no Brasil como uma das alternativas terapêutica para diferentes condições de saúde, mas ainda enfrenta desafios relacionados ao acesso, à regulamentação e à desinformação. Embora o tema esteja cada vez mais presente em debates científicos, jurídicos e sociais, especialistas afirmam que muitos pacientes ainda encontram barreiras para iniciar ou manter o tratamento.

Diante do advogado e ativista Erik Torcato, um dos principais obstáculos está na falta de profissionais capacitados para orientar os pacientes. Segundo ele, a medicina canabinoide ainda não faz parte da formação acadêmica da maioria dos médicos brasileiros, o que dificulta a ampliação do acesso ao tratamento. "O principal desafio é a falta de profissionais capacitados para identificar as necessidades dos pacientes e o potencial terapêutico da Cannabis em suas vidas", afirma.

Além da dificuldade de acesso aos profissionais especializados, Torcato acredita que a legislação brasileira ainda não acompanha plenamente a realidade dos pacientes. Na avaliação do advogado, os avanços conquistados nos últimos anos ocorreram principalmente por meio de decisões judiciais que reconheceram demandas sociais relacionadas ao tema.

Erik Torquato
Erik Torquato (Arquivo pessoal)

No campo científico, a professora doutora Priscila Gava Mazzola, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unicamp, destaca que a Cannabis medicinal já apresenta resultados importantes em diversas condições clínicas. Segundo ela, os usos mais frequentes envolvem o tratamento da dor crônica, epilepsias refratárias, ansiedade, insônia, autismo, esclerose múltipla e cuidados paliativos.

A pesquisadora explica que os resultados mais consistentes são observados em pacientes com epilepsias refratárias, dor crônica, espasticidade, náuseas associadas à quimioterapia e alguns transtornos do sono e ansiedade. Para ela, o crescimento das pesquisas científicas tem ampliado o conhecimento sobre o potencial terapêutico da planta.

Apesar dos avanços, a especialista ressalta que o preconceito ainda influencia a forma como a sociedade enxerga o tratamento. Segundo Mazzola, muitos pacientes deixam de buscar informações ou iniciar terapias por receio de julgamentos e falta de conhecimento sobre o tema.

Priscila Mazzola
Priscila Mazzola (Arquivo pessoal)
"O avanço do conhecimento científico e o aumento do número de prescritores têm ampliado essas aplicações de forma cada vez mais responsável e baseada em evidências"
- Priscila Mazzola

O advogado Ladislau Porto, que é especialista em acesso à Cannabis medicinal, também destaca a importância da informação. Em um evento em Campinas no fim de maio, ele disse que combater a desinformação é um dos jeitos mais importantes de diminuir o preconceito em relação à planta.

Ladislau Porto
Ladislau Porto (Arquivo pessoal)

Para Porto, muita gente ainda tem uma visão ruim sobre a Cannabis, resultado de décadas de estigma, o que atrapalha conversas maiores sobre os benefícios medicinais da planta. Ele acredita que ter acesso a informações confiáveis ajuda as pessoas a entenderem melhor o assunto e a terem uma opinião mais embasada em fatos e provas.

"A principal mensagem é se informar. Quanto mais informação de qualidade sobre Cannabis existir, menor tende a ser o preconceito"
- Ladislau Porto

Apesar de especialistas concordarem que houve progressos significativos na ciência, no acesso a tratamentos e nas discussões públicas, todos concordam que ainda há muito a ser feito. Assuntos como regras, treinamento de profissionais, expansão do acesso e luta contra a desinformação continuam sendo cruciais para firmar a Cannabis medicinal como uma opção de tratamento mais acessível, segura e incorporada ao sistema de saúde.

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